Estudando uma referência de diagramação

Continuando a temática sobre diagramação de pranchas, no nosso artigo foi comentado sobre a utilidade de se criar um repertório analisando referências de diagramação e ao longo do tempo termos uma “biblioteca de ideias” que podemos por em prática sem necessariamente replicar aquilo exatamente igual.

Neste artigo pegamos as pranchas de uma proposta do escritório 24.7 para um concurso da CODHAB/DF para uma escola no Bairro de Crixá. Diferente de outros concursos que normalmente temos que resolver toda a diagramação em uma prancha só, estes concursos da CODHAB costumam trabalhar com 5 a 6 pranchas e também com uma prancha síntese única compilando as informações importantes. O interessante de se analisar a diagramação de várias pranchas é que isso é o mais comum que acontecerá no dia-a-dia de uma apresentação de projeto, seja para clientes ou para a faculdade.

Divisão inicial (Grid)

Imagem 01

Analisando a disposição das informações ao longo das 5 pranchas deste projeto é possível notar que existe um grid de 4×4 dividindo a folha A3 (mesmo que ele seja modificado em alguns momentos, mas isso é inevitável dependendo da quantidade e tamanho das informações). Esse grid inicial ajuda muito a pensar melhor no encaixe das informações ao longo das pranchas e também manter os espaçamentos, alinhamentos e  a existirem espaços brancos de “respiro” ao longo das informações.

Prancha 1

Imagem 02

Na primeira prancha temos uma perspectiva ocupando 3/4 da folha e mostrando uma parte muito atrativa do projeto para justamente captar a atenção. Logo em seguida temos um espaço com a implantação simples para o leitor começar a se localizar na leitura do projeto e três espaços contendo diagramas e textos explicando o processo de conceituação e evolução volumétrica do projeto. No esquema que fiz acima as linhas pontilhadas são os espaçamentos e divisões que fogem do grid inicial, representado pelas linhas cheias.

Prancha 2

Imagem 03

A prancha dois é a que complementa a apresentação mais ampla do projeto, principalmente pela planta/implantação detalhada do primeiro pavimento, onde agora de fato podemos ver a espacialidade, os acessos e ambientes. Em seguida temos perspectivas que ajudam a compreender melhor o projeto e textos explicativos. Um ponto interessante é a disposição de uma perspectiva, elevação técnica e corte da mesma vista longitudinal, assim os três se complementando (também é interessante o fato de misturar essas informações ao longo das pranchas, e não setorizar totalmente os desenhos técnicos, caindo sempre na mesma lógica de pranchas de plantas, depois de cortes e elevações).

Prancha 3

Imagem 04

Nesta prancha temos a planta do primeiro pavimento (ainda com as informações de tudo o que é visto abaixo do plano da seção, o que ajuda muito na leitura). Também temos agora a perspectiva, elevação e corte da vista transversal do projeto. Nesta prancha também temos um corte de detalhamento construtivo, o que denota que a ordem lógica das informações passa do macro para o micro do projeto.

Prancha 4

Imagem 05

A prancha quatro continua essa parte mais técnica que começou com o corte do detalhamento construtivo. Aqui temos o detalhe da cobertura adotada e um texto explicando as soluções tomadas para o conforto térmico do projeto. As perspectivas ajudam a ilustrar alguns pontos descritos no texto, além de trazer uma boa estética para a prancha.

Prancha 5

Imagem 06

Por fim, a prancha cinco fecha essa escala micro mostrando as plantas, cortes e uma isométrica das salas de aula, além de perspectivas para ilustrar esses espaços, mostrando a relação das salas com o pátio central.

Em todos os casos das pranchas acima mantive a análise mostrando em linhas pontilhadas as divisões que “fogem” daquele grid inicial descrito. Haverão casos onde será “mais fácil” manter as coisas encaixadas nos espaços do grid, porém essa variação nas pranchas também pode tornar a apresentação do projeto mais dinâmica e interessante se bem executada.

Dos próprios autores do projeto

E para complementar a análise feita por mim, segue um texto pelo próprio escritório:

“A lógica da diagramação consistiu na organização do conteúdo de forma sequencial, equilibrando a relação de textos – desenhos – renders em cada prancha para que todas apresentassem conteúdo de relevância.

A estrutura da prancha consistia em um grid 4×4, e todos os conteúdos foram previamente determinados nessas proporções para que a produção fosse otimizada.

A sequência inicia na apresentação do conceito, em forma textual e esquemática, gradualmente evoluindo até atingir o estudo final representado por plantas, cortes, elevações e renders, distribuídos de forma lógica porém sem sequências repetitivas.”

Gostou deste artigo? Tem ideias de outros temas interessantes envolvendo arquitetura e que gostaria de ver por aqui? Deixe nos comentários sugestões e/ou dúvidas, e também compartilhe este artigo com seus amigos!

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